Será que um dia sonhara em morar na casa com gaiolas dentro?
A área é grande, bom pra fumar um cigarro sem ser percebida.
A cozinha bem arejada, o cheiro da comida nem chega a invadir os quartos.
Será que os pássaros vivem ali?
Acho que eles cantam pra não ouvirem aquele silêncio alto. Silêncio que deixa tudo cada vez mais mudo.
Será que eu nasci pra dividir uma gaiola?
Acho que eu nunca dividiria uma gaiola com você.
Já tentamos dividir coisas maiores e nunca funcionou. Lembra da caixa amarela?
Nem lá coube eu e você.
Se eu dormir aqui, amanhã vou ter uma asa a menos?
Mesmo se eu não voar mais, quero que abra a portinha pra mim, deixo você ficar com toda a comida, a vasilha d'água... ah! e o ninho também é seu.
Eu, agora com uma asa só, vou me arrastar até aquela caixa amarela, lembra?
Lá eu fumo meu cigarro, e sou percebida, e quando vou pra cozinha, todos saem dos quartos porque sentem o cheiro da comida.
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
terça-feira, 3 de agosto de 2010
quarta-feira, 14 de julho de 2010
SP13071021300312017031
exausta.
vou correr a noite inteira, até que sua memória vire pó. tão valioso como a lua clareou seu rosto, dois olhos pequenos tremendo ao fixar-me em sua frente. querer assustadoramente aquela temperatura...
inexorável!
quanta arrogância!
desejos imaturos. não existe mais nada entre nós. preciso: GRITAR. seu silêncio me fere. suas respirações fisgam minha pele. me perdi entre as duas aspas que desenham suas costas.
"
sábado, 3 de julho de 2010
2606102000
estiquei o lençol da cama, bem firme. guardei as pontas para dentro da cama e estiquei a manta de retalhos. nag champa. aquele cheiro que sempre se misturava ao cheiro do nosso amor. o som alto enquanto fazíamos almoço e você chamando sua mãe pra ver como eu fazia o arroz. que pretensão a sua, e a minha de invadir aquela cozinha. ainda me arriscava a cantar enquanto as coisas iam ficando prontas no fogão. me posicionar frente aquela sacada e ver as pessoas com sacolas andando na rua. lá eu nunca me esquecia do céu. duas ou três almofadas, seus cabelos no meu colo, sorriso sarcástico. o que será feito do amor antigo? você que inventou o pecado, esqueceu-se de inventar o perdão. a rosa é tão pequena em vista a um prédio. a saudade é sempre grande diante dos dias.
quarta-feira, 23 de junho de 2010
EUXISTO
quebrei o único espelho:
mais 7 anos de azar?
não.
nada de procurar um significado pra tudo
aceito que algumas coisas EXISTEM.
esse sonho não traz morte
nem dinheiro
não vou ser tia, nem mãe agora.
eu ando assim pelo quarto
eu ando assim em mim
perco a chave, o chão
perco o começo e o fim
penso que isso foi por causa daquilo
e aquilo foi culpa disso
sintomas de saudade
quase sonhando
acordo no susto
hoje não quero explicação
olha,
hoje,
eu apenas
EXISTO.
sábado, 5 de junho de 2010
sexta-feira, 4 de junho de 2010
030610144500
me deu vontade de viver aquele momento com você.aquela viagem na chuva.mirava o céu quando a chuva chegava, vi o céu mudando sua cor, e o amor agora chovia.fiquei uns instantes com os braços para cima observando a chuva cair e sua face se estampava no céu.foi ainda ontem, na noite, que pensei tanto em você.de repente eu precisava em todos os instantes que você estivesse ali, sorrindo, na mesma temperatura, entendendo o que pra mim vale a pena.me vendo sentir.sentindo a noite que é minha maior descoberta.queria mostrar pra você uma das minhas partes.estávamos em sintonia na cor da noite.queria saber sobre o que estaríamos falando se estivéssemos lado a lado em qualquer canto, livres por aí.pensei e vivi inúmeras possibilidades desse nosso encontro.fiz café.me deliciei ouvindo a chuva e sentindo o cheiro do café invadindo o apartamento.só.tantos pensamentos.tantos desejos tão bonitos.de frente a sacada fechada por causa da chuva, assisti a chuva e você.entre o sabor do café e o trago de um cigarro.entre a chuva, o café e o trago de um cigarro foi a duração do nosso encontro.
[now, i'm gonna love you
'til de heaven stops the rain]
segunda-feira, 24 de maio de 2010
2105100003
a falta de sono me devora madrugada a dentro.construo diálogos intermináveis comigo mesma.tenho olhado pra você e tenho me visto.eu não tenho escolhido.tenho pensado, desejado.tenho reprimido, sufocado.virei vários restos de madrugadas cerrando os olhos e te desenhando na minha frente.a noiva morreu.sonhei com seu vestido queimado e seu buquê murcho compunha o resto do espaço.quem me jogou?você é cheiroso.toda vez que sinto você ao meu lado penso que você é cheiroso, perfumado não, cheiroso, o seu cheiro me embriaga.decifrar qualquer possibilidade.não, não é isso que eu quero.quero encontrar um meio de ir mais longe.ir mais longe por amar você.porque não tenho mais o chão apoiando meus pés.não pousarei tão cedo.será que o único caminho é ir?tudo vai fazer sentido depois que passar e eu perder a carona pro lado de lá?desejo.desejo.desejo.fico com a mala pronta todos os dias.quero ir.talvez eu esteja com a passagem nas mãos.ando nua nas ruas.usei roupas tanto tempo.estou um pouco assustada.acho que estou nascendo.lentamente.será que me permito?será que posso escolher?a mulher está imperfeita.será que estou vivendo a ilusão da necessidade?não quero ser cruel.apenas verdadeira.
quinta-feira, 6 de maio de 2010
terça-feira, 20 de abril de 2010
terça-feira, 30 de março de 2010
quinta-feira, 25 de março de 2010
volto a viver nas madrugadas
renasce em mim todos aqueles silêncios
e retomo todas aquelas conversas com não sei quem
porque não há muitos que resistam ao peso da noite
nem eu resisto, eu olho pro infinito e nem enxergo mais seu início
porque a noite está bonita, o céu não chora
mas brota chuva em meus olhos
gozo da mais livre liberdade solitária
e me culpo porque não sei me sentir plena
é, não sei me alegrar em poder alçar voo
não sei ter a força de uma águia que devora o ar
e parece sorrir de tanto prazer de sentir o vento
eu queria mesmo era devorar esses corações conformados
esses amores que esperam
um dia é uma vida
uma noite é uma vida mais sofrida ainda
estou tentando plantar algo mais refinado
minhas simples miudezas se perdem
eu sei
eu tenho que querer mais do mundo
e de mim
renasce em mim todos aqueles silêncios
e retomo todas aquelas conversas com não sei quem
porque não há muitos que resistam ao peso da noite
nem eu resisto, eu olho pro infinito e nem enxergo mais seu início
porque a noite está bonita, o céu não chora
mas brota chuva em meus olhos
gozo da mais livre liberdade solitária
e me culpo porque não sei me sentir plena
é, não sei me alegrar em poder alçar voo
não sei ter a força de uma águia que devora o ar
e parece sorrir de tanto prazer de sentir o vento
eu queria mesmo era devorar esses corações conformados
esses amores que esperam
um dia é uma vida
uma noite é uma vida mais sofrida ainda
estou tentando plantar algo mais refinado
minhas simples miudezas se perdem
eu sei
eu tenho que querer mais do mundo
e de mim
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