quinta-feira, 12 de novembro de 2009
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
vento sul,
me carrega a memória?
devolve pro mar
os sentidos.
as saudades hoje, não são dormentes.
qual é essa energia
que nos conecta?
me carrega a memória?
devolve pro mar
os sentidos.
as saudades hoje, não são dormentes.
qual é essa energia
que nos conecta?
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Mulher de Leão
A mulher de Leão
Brilha na escuridão.
A mulher de Leão, mesmo sem fome
Pega, mata e come.
A mulher de Leão não tem perdão.
As mulheres de Leão
Leoas são.
Poeta, operário, capitão
Cuidado com a mulher de Leão!
São ciumentas e antagônicas
Solares e dominicais
Ígneas, áureas e sardônicas
E muito, muito liberais.
Brilha na escuridão.
A mulher de Leão, mesmo sem fome
Pega, mata e come.
A mulher de Leão não tem perdão.
As mulheres de Leão
Leoas são.
Poeta, operário, capitão
Cuidado com a mulher de Leão!
São ciumentas e antagônicas
Solares e dominicais
Ígneas, áureas e sardônicas
E muito, muito liberais.
Vinícius de Moraes
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
ilustro todos esses toques,
tão peregrinos quando amanhecem!
tuas mãos sibilam as superfícies,
meu humor vacilante,
se dissolve em teu sorriso rarefeito.
aproximo meus pés mornos dos teus,
cruzo os dedos:
do pé.
calcanhares,
diferentes temperaturas,
intrigante.
luz do poste
invande pela fresta,
minha sombra
já brinca com a enxaqueca.
émouvant
coffee smell
te amo.
tão peregrinos quando amanhecem!
tuas mãos sibilam as superfícies,
meu humor vacilante,
se dissolve em teu sorriso rarefeito.
aproximo meus pés mornos dos teus,
cruzo os dedos:
do pé.
calcanhares,
diferentes temperaturas,
intrigante.
luz do poste
invande pela fresta,
minha sombra
já brinca com a enxaqueca.
émouvant
coffee smell
te amo.
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
RIVAL
Se a lua sorrisse, pareceria com você.
Você também deixa a impressão
De algo lindo, mas aniquilante.
Ambos são bons em roubar luz alheia.
A boca da lua se lamenta ao mundo; a sua não é insensível,
Passeando pela África, talvez, mas pensando em mim.
Você também deixa a impressão
De algo lindo, mas aniquilante.
Ambos são bons em roubar luz alheia.
A boca da lua se lamenta ao mundo; a sua não é insensível,
E seu maior dom é fazer tudo virar pedra.
Desperto num mausoléu; você está aqui,
Tamborilando na mesa de mármore, procurando cigarros,
Malicioso como uma mulher, não tão nervoso assim,
E louco pra dizer algo irrespondível.
A lua, também, humilha seus súditos,
Mas de dia ela é ridícula.
Suas insastifações, por outro lado,
Chegam pelo correio com regularidade encantadora,
Brancas e vazias, expansivas como monóxido de carbono.
Passeando pela África, talvez, mas pensando em mim.
Sylvia Plath - Ariel - Tradução de Rodrigo Garcia Lopes e Maria Cristina Lens de Macedo
Poema retirado do livro ganhado com muito amor e cuidado, livro esperado como um filho! Obrigada!
Poema retirado do livro ganhado com muito amor e cuidado, livro esperado como um filho! Obrigada!
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Presente
no tremor interno
das partes que queimam
há um calor que engole tudo
ouve-se um som contínuo
sente-se um abraço forte dado em pleno vácuo
não se sabe onde começa um
onde termina outro
os sentidos se aguçam e se perdem ao mesmo tempo
dormência gostosa, carregada de formigamento
risada em prosa
somos a própria luz tênue
deste presente instante
das partes que queimam
há um calor que engole tudo
ouve-se um som contínuo
sente-se um abraço forte dado em pleno vácuo
não se sabe onde começa um
onde termina outro
os sentidos se aguçam e se perdem ao mesmo tempo
dormência gostosa, carregada de formigamento
risada em prosa
somos a própria luz tênue
deste presente instante
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
ouvindo mais uma vez beatles...
junto ao barulho da chuva, me recordo, muito. me lembra um trecho:
.
.
Ele teve certeza. Ou claras suspeitas. Que talvez não houvesse lesões, no sentido de perder, mas acúmulos no sentido de somar? Sim sim. Transmutações e não perdas irreparáveis, alices-davis que o tempo levara, mas substituições oportunas, como se fossem mágicas, tão a seu tempo viriam, alices-davis que um tempo novo traria? Não era uma sensação química. Ele não tinha a boca seca nem as pupilas dilatadas. Estava exatamente como era, sem aditivos.
.
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Ele teve certeza. Ou claras suspeitas. Que talvez não houvesse lesões, no sentido de perder, mas acúmulos no sentido de somar? Sim sim. Transmutações e não perdas irreparáveis, alices-davis que o tempo levara, mas substituições oportunas, como se fossem mágicas, tão a seu tempo viriam, alices-davis que um tempo novo traria? Não era uma sensação química. Ele não tinha a boca seca nem as pupilas dilatadas. Estava exatamente como era, sem aditivos.
caio fernando abreu-morangosmofados
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
0110090042
.
.
nas marcas invisíveis
sobre o tempo que não findou
enxergo o que ninguém vê
é meu
e não sei onde guardar
somos condenados
a dor é vício
ofício
eu grito:
porque por aí vagam meus olhos de cigana?
também suplico
um caminho mais tranquilo
mas fecho os olhos
escuto aquela melodia
vejo sol de domingo
crianças correndo
sonhos infindáveis
instead
paro por aqui
sei que vou olhar aquela mesma estrela
e perguntar tudo aquilo
pra ver se ela me traz aqueles sons
que antes ela sempre trazia
na época em que a lua me entendia
.
.
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nas marcas invisíveis
sobre o tempo que não findou
enxergo o que ninguém vê
é meu
e não sei onde guardar
somos condenados
a dor é vício
ofício
eu grito:
porque por aí vagam meus olhos de cigana?
também suplico
um caminho mais tranquilo
mas fecho os olhos
escuto aquela melodia
vejo sol de domingo
crianças correndo
sonhos infindáveis
instead
paro por aqui
sei que vou olhar aquela mesma estrela
e perguntar tudo aquilo
pra ver se ela me traz aqueles sons
que antes ela sempre trazia
na época em que a lua me entendia
.
.
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Memória
Amar o perdido
deixa confundido
este coração
Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não
As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão
Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão
carlos drummond
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
2409091927
subir e descer,
cair e levantar,
cair e levantar,
ausência e presença.
um lugar é só um lugar.
que é seu enquanto você ocupa.
isso vale para uma cadeira
e para um coração.
por isso não me preocupo com aqueles que outros ocuparem.
Os que verdadeiramente importam,
estarão sempre lá,
reservados pra mim.
lembrança: ani l'eahov at
"ficou tudo fora do lugar
café sem açúcar
dança sem par"
não sei entender
muito menos meu pulmão que aperta o dia todo, prende a respiração.
.
será que você merece?
se eu duvido, tem que haver motivo em algum sentido.
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