quinta-feira, 1 de outubro de 2009

0110090042

.
.
nas marcas invisíveis
sobre o tempo que não findou
enxergo o que ninguém vê
é meu
e não sei onde guardar
somos condenados
a dor é vício
ofício
eu grito:
porque por aí vagam meus olhos de cigana?
também suplico
um caminho mais tranquilo
mas fecho os olhos
escuto aquela melodia
vejo sol de domingo
crianças correndo
sonhos infindáveis
instead
paro por aqui
sei que vou olhar aquela mesma estrela
e perguntar tudo aquilo
pra ver se ela me traz aqueles sons
que antes ela sempre trazia
na época em que a lua me entendia
.
.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

    Memória

    Amar o perdido
    deixa confundido
    este coração

    Nada pode o olvido
    contra o sem sentido
    apelo do Não

    As coisas tangíveis
    tornam-se insensíveis
    à palma da mão

    Mas as coisas findas
    muito mais que lindas,
    essas ficarão

    carlos drummond

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

2409091927

subir e descer,

cair e levantar,

ausência e presença.

um lugar é só um lugar.

que é seu enquanto você ocupa.

isso vale para uma cadeira

e para um coração.

por isso não me preocupo com aqueles que outros ocuparem.

Os que verdadeiramente importam,

estarão sempre lá,

reservados pra mim.


lembrança: ani l'eahov at


"ficou tudo fora do lugar

café sem açúcar

dança sem par"


não sei entender

muito menos meu pulmão que aperta o dia todo, prende a respiração.

.

será que você merece?

se eu duvido, tem que haver motivo em algum sentido.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

.
além
o sol nem tinha se posto
e eu vi,
eu vi
o poeta em seu pássaro
voando a rua
com um coração sangrando na mão
fugindo pra longe de onde não consegue estar
levando seus poemas medrosos
seus sentimentos duvidosos
que dançam no poema
pra impressionar quem?
se foges
mentes
e aqui não
aqui
amanhã já é primavera
e as flores renascem desde que
decidi ver o intangível
o amor era intocável
porque talvez não fora
as amoras despontam
e eu sinto saudade
muita
além
.

domingo, 20 de setembro de 2009

2009091520

eu disse uma vez
jaz aqui um amor

vivo ou não,
delírio duplo
espíritos que tentam se aquietar num corpo só
alma que não sustenta
tamanho equilíbrio sereno
de quem ama atenta
e percebe como apaziguar todo um suspiro
num instante só

na bemaventurada cama que durmo
nasço todos os dias com saudade do amanhã
eu olho do centro do mundo
os desejos incomuns que te cercam
e me alegro por poder dançar livre
no ritmo que meu corpo pede
ocupo exatamente o lugar que me cabe
mas espaçosa prá caber
ultrapasso até onde posso
porque o cheiro que sai dos meus poros acesos
fica em você por tempos,
permanece


hoje muito cedo eu vou pirar
e pensar tudo num tempo só



My wild love is crazy.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

1609092202

me deito com meu silêncio
faço amor com minha solidão
sofro
mas me descubro
gosto do gosto azedo
dessa descoberta
me descubro
na cama semi descoberta
sinto o gosto do sal:
é inevitável...

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Ella

confessa em cada noite que nasce
os piores pecados que carrega entre as pernas
não resta nem o charme
seu cigarro de mama cadela
transpira suor barato e
no solado surrado do tamanco velho
um chiclete grudado
que salva a sua boca suja
num momento qualquer de aperto

terça-feira, 18 de agosto de 2009

1708092130

neste céu que me cobre
no dorso desta noite que me envolve
estou deitada na iminência do pensamento
permito que agora
eu me encontre com meu silêncio
a rosa não
c
a
i
p
l
a
i
n
a
no vento
abrindo um mar inteiro de acolhimento
vejo retalhos de lua minguante
o encontro exato
pontual no leito
nestes dias de ritmo manso
tenho os dois pés sobre flores

domingo, 9 de agosto de 2009

agoraesemdemora

sob qualquer chão
pisando em qualquer noite
mirando qualquer estrela
cantando pra qualquer lua
tudo é
agora e sem demora
quando se trata de você

terça-feira, 7 de julho de 2009

Um Banco

já sei que
quem olha de longe
eu, meu óculos, meu cigarro
no centro do banco
[só] lendo algum livro
enxerga solidão
quem olha de longe se engana
se olhar de perto estranha
mas
se olhar pra dentro descobre
minha imensidão

sexta-feira, 26 de junho de 2009

UmSó

no piscar de uma estrela
um rio de sensações
corria entre nós
nos via dançando
ardentes e mudos
denunciava a respiração
ora ofegante, depois suspiro leve
nesta noite ganhamos o infinito
no momento eterno desse olhar
tirei uma foto dessa expressão
te disse: essa eu não conheço
você com olhos densos
piscou de um olho só
pintei essa expressão
na face da nossa noite
cor e sabor
uma grande alquimia
nossa

segunda-feira, 22 de junho de 2009

domingo, 14 de junho de 2009

este domingo
tem a duração
daquele cigarro
que a gente fazia
e fumava juntos
esparramados entre as almofadas
na sacada fria

vezes
assisto
um passado morto
e fumo um cigarro apagado
que não dura nada
no quarto vazio
onde agora durmo ou não

terça-feira, 9 de junho de 2009

oi, como você chama?
pode esquentar os meus pés?

sexta-feira, 5 de junho de 2009

o amor me merece?

as palavras despencam no pensamento
o que hei de cantar quando o fim me cumprimentar?
o som mudo do amor incontido,
a miséria do frio em pleno calor.
serei eu cega ao olhar despido,
surda ao canto da chuva na terra.
dançarei em frente o espelho, cadenciadamente olhando a felicidade forçada
refletida nas unhas vermelhas e no copo de vinho,
na cor dos lábios e o rimel nos olhos.
nada natural, tudo invocado,
proporcional ao vazio,
ao copo vazio
ao co r po vazio
à alma arredia.