quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

sonhos...

"... o sonho é uma porta estreita, dissimulada no que tem a alma de mais obscuro e íntimo; abre-se sobre a noite original e cósmica que pré-formava a alma muito antes da existência da consciência do eu e que a perpetuará até muito além do que possa alcançar a consciência individual."
(C. G. Jung)

[os sonhos me perseguem
com cenas e imagens
que eu, talvez,
não queira presenciar mais
]

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

FRAME

desviar os olhos
não deixa dormente o peito
respirei todos seus pensamentos
trouxe pra perto
tudo aquilo que seus olhos
estavam com medo de dizer
girei
mas não perdi de vista
a perna tremeu muito
e ouvi sua voz o tempo todo
queria gritar
berrar:
mais que amor
mas eu disse:
você não manda mais em mim!
meus poros
liberaram toda a saudade
que eu sinto de você
sempre
independente

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

cultivando a ousadia
e
domando o meu leão
não
é
fácil.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

mergulhei

em transe

transe

entre em transe



veeemmm!!!

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

RIMBAUD

Ela foi encontrada!
Quem? A eternidade.
É o mar misturado
Ao sol.

Minha alma imortal,
Cumpre a tua jura
Seja o sol estival
Ou a noite pura.

Pois tu me liberas
Das humanas quimeras,
Dos anseios vãos!
Tu voas então...

— Jamais a esperança.
Sem movimento.
Ciência e paciência,
O suplício é lento.

Que venha a manhã,
Com brasas de satã,
O dever
É vosso ardor.

Ela foi encontrada!
Quem? A eternidade.
É o mar misturado
Ao sol.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Radical Chic

Revista Cult, faz parte do meu show.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

.me misturei tarde dessas em você tudo espalhado pelo chão e quando eu olhava lá de fora da sacada via tudo tão miudinho que até confudia você me desorganiza e eu gosto disso mas não gosto quando tudo fica do outro lado do lado silencioso do mundo e eu não durmo penso descontrolavelmente e me sinto sozinha porque é tão silencioso as vezes só que nessas manhãs cinzentas quando eu abro a janela e não vejo o sol eu ouço o barulho dos carros e tento não ser tão silenciosa tento voltar pro lado de cá porque sei que aqui posso me acolher enxergo dentro dos olhos teus almofadas macias, mar calmo e morno pra me receber e aquele gemido que vem de longe assustar os cabelos que repousam leves no teu peito fica mudo e silencioso vai embora junto com suas assombrações.

sábado, 12 de dezembro de 2009

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

VIAGEM



Eu ainda escrevo cartas...

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

as borboletas também amam.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

vento sul,
me carrega a memória?
devolve pro mar
os sentidos.
as saudades hoje, não são dormentes.
qual é essa energia
que nos conecta?

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Mulher de Leão

A mulher de Leão
Brilha na escuridão.
A mulher de Leão, mesmo sem fome
Pega, mata e come.
A mulher de Leão não tem perdão.

As mulheres de Leão
Leoas são.
Poeta, operário, capitão
Cuidado com a mulher de Leão!

São ciumentas e antagônicas
Solares e dominicais
Ígneas, áureas e sardônicas
E muito, muito liberais.

Vinícius de Moraes

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

ilustro todos esses toques,
tão peregrinos quando amanhecem!

tuas mãos sibilam as superfícies,
meu humor vacilante,
se dissolve em teu sorriso rarefeito.

aproximo meus pés mornos dos teus,
cruzo os dedos:
do pé.
calcanhares,
diferentes temperaturas,
intrigante.

luz do poste
invande pela fresta,
minha sombra
já brinca com a enxaqueca.

émouvant
coffee smell
te amo.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

RIVAL

Se a lua sorrisse, pareceria com você.
Você também deixa a impressão
De algo lindo, mas aniquilante.
Ambos são bons em roubar luz alheia.
A boca da lua se lamenta ao mundo; a sua não é insensível,

E seu maior dom é fazer tudo virar pedra.
Desperto num mausoléu; você está aqui,
Tamborilando na mesa de mármore, procurando cigarros,
Malicioso como uma mulher, não tão nervoso assim,
E louco pra dizer algo irrespondível.

A lua, também, humilha seus súditos,
Mas de dia ela é ridícula.
Suas insastifações, por outro lado,
Chegam pelo correio com regularidade encantadora,
Brancas e vazias, expansivas como monóxido de carbono.

Nem um dia se passa sem notícias suas,
Passeando pela África, talvez, mas pensando em mim.

Sylvia Plath - Ariel - Tradução de Rodrigo Garcia Lopes e Maria Cristina Lens de Macedo
Poema retirado do livro ganhado com muito amor e cuidado, livro esperado como um filho! Obrigada!

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Presente

no tremor interno
das partes que queimam
há um calor que engole tudo
ouve-se um som contínuo
sente-se um abraço forte dado em pleno vácuo
não se sabe onde começa um
onde termina outro
os sentidos se aguçam e se perdem ao mesmo tempo
dormência gostosa, carregada de formigamento
risada em prosa
somos a própria luz tênue
deste presente instante